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O pequeno principe, e a vida não vivida dos pais…

Mais um filme de animação que fui assistir e que estava cheio de recadinhos para os adultos, foi assim com o novo filme do Pequeno príncipe. E vejam mais uma vez como é um bom exemplo de sincronicidade:
Já fazia um tempo que eu estava escrevendo sobre o filme, mas por estar envolvido com o novo consultório não estava dando muito foco, por acaso eu assisti um trecho do programa da Gabi com o padre Fábio de Melo falando que o pequeno príncipe deveria ser abolido ou esquecido…Um fato externo influenciando de alguma forma o que eu estava fazendo e com grande conexão, poxa eu escrevendo sobre o pequeno príncipe e o querido padre falando para não falar sobre ele. 
Para quem quiser ver a parte da entrevista, esse é o link : Entrevista Fabio de Melo, parte 4 – De frente com Gabi  
 
Vamos lá… 
O filme é um retrato fiel dos dias de hoje, demonstrando um mundo cinza onde as pessoas seguem um padrão social que dita o que é certo e o que não é certo, afinal, ser diferente é ser errado.
 
Vejam o Trailer :


A historia se passa em torno de uma família bem contemporânea, com uma mãe totalmente controladora com um único objetivo, colocar a filha em uma escola conceituada, um pai quase inexistente, já que a única referencia a respeito dele é feita através de presentes recebidos, a filha super obediente e o vizinho, um velhinho cheio de criatividade que surge no caminho da família.
 
Logo de cara temos a apresentação da mãe, totalmente obsessiva, controladora, sonhando com um futuro promissor para a filha, para Jung este é: 
“…o fator que atua psiquicamente de um modo mais intenso sobre a criança é a vida que os pais ou antepassados não viveram” 


Em outra explicação Jung pontua que: 
“…a criança se encontra de tal modo ligada e unida à atitude psíquica dos pais, que não é de causar espanto se a maioria das perturbações nervosas verificadas na infância devam sua origem a algo de perturbado na atmosfera psíquica dos pais.”


Uma coisa que chamou a atenção e se trata de algo importante, a mãe é quase um homem, se veste como um homem, uma mãe devoradora e talvez totalmente tomada por seu animus.
A menina é obediente e estudiosa sempre fazendo tudo que é esperado pela mãe, e no momento importante, mais decisivo ela erra… o que nos trás uma boa oportunidade para refletirmos sobre este momento, Jung explica que:
 “Tais processos têm a particularidade de ser inicialmente subliminais, isto é, inconscientes, só alcançando a consciência de modo gradual. O momento da irrupção pode, entretanto, ser repentino, de maneira que a consciência é como que inundada instantaneamente por conteúdos estranhos e inesperados.” 
Quero fazer um pequeno paralelo aqui, qualquer um de nós pode ser tomado por conteúdos estranhos e inesperados, quem não se lembra do fato ocorrido com o jornalista Ricardo Boechet, momentos antes de começar o programa ficou totalmente paralisado, pessoas dirigindo na contra mão ou dizendo coisas sem sentido como “não temos metas mas quando atingirmos a meta…”
Eu não poderia afirmar que a menina não quer entrar nesta super escola mas, podemos desconfiar que aqui já existe algo errado, afinal quando é questionada sobre o que ela quer ser quando crescer, tudo entra em parafuso, ela não sabe o que quer, é a mãe quem sabe !!
E o velhinho, o mais importante personagem do filme, para mim ….
Um senhor que representa o oposto de tudo, a começar por sua casa cheia de curvas e colorida. O velhinho vive o essencial, vive em comunhão com a sua criança, com sua essência ou com o sagrado que existe dentro de si. Gosto muito da fala do Waldemar Magaldi que brinca falando que um desastre é a nossa desconexão com os astros ( des astre ), e podemos entender isso como a nossa desconexão com si mesmo, com o self ou com o nosso sagrado.
 
A rotina de estudos da garotinha é quebrada pelo morador da estranha casa, o velhinho criativo, essa quebra da rotina é um verdadeiro convite para entrar em contato com outro mundo, um mundo de coisas simples, com aquilo que é essencial e invisível aos olhos. A partir do momento que a vida dos 3 se cruzam a vida da menina passa a ter outra dinâmica, as coisas passam a ter cor, passa a ter criatividade e ela passa a entrar em contato seu próprio sagrado através de insights que surgem a partir do momento que começa a se relacionar com o velhinho e com a historia do pequeno príncipe. 
Fica claro que no momento que entramos em contato com a nossa essência através do nosso inconsciente tudo passa a ter um sentido, passamos a perceber detalhes que nunca percebidos, sincronicidades passam a ficar evidentes, coisas que gostávamos deixam de fazer sentido, problemas que eram paralisantes perdem a força e tudo se transforma.
 
O novo filme do pequeno príncipe mostra exatamente como estamos esquecidos do essencial que é invisível aos olhos, quantas vezes dentro do consultório não vemos historias de clientes que vivem a vida não vivida dos pais, quantas vezes nossos clientes ficam impressionados com seus próprios sonhos e fantasias produzidos pelo inconsciente.
Neste filme podemos perceber como estamos desconectados das coisas simples, como nossas crianças aprendem desde cedo a se desligarem de suas fantasias e criatividade.
Hoje através deste filme eu posso responder a um questionamento de alguém que ligou para perguntar sobre a terapia, sobre como eu trabalhava e se eu tinha uma apresentação do meu trabalho, naquele momento fiquei desconcertado com a pergunta e a única resposta possível que pude dar para procurar no google.
 
Hoje esse filme seria a minha apresentação, o analista é aquele que pode lhe ajudar a entender suas fantasias, suas angustias, é aquele que poderia lhe ajudar a compreender seus sonhos e seu verdadeiro papel consigo mesmo, seu papel com aqueles que lhe cercam e com a sociedade.
 
Então assista o filme a aproveite para fazer uma auto reflexão !! 

E lembrando da entrevista e mesmo sendo do ano passado minha resposta para o padre Fabio de Melo; não, não devemos banir o pequeno príncipe e suas falas, apenas precisamos entender seu sentido, na entrevista cita-se a frase:

“Tu se torna eternamente responsável por aquilo que cativas”

O sentido da palavra “cativas” está relacionado com aquilo que fica preso, tiranizado, oprimido, então assim, podemos entender que a frase é no sentido de você ser responsável por aquilo que está preso dentro de si, você é responsável pela a não realização de quem você é verdadeiramente, ou seja, para psicologia junguiana:

“Tu se torna eternamente responsável pela realização do si mesmo.”


Daniel Gomes
psicoterapeuta junguiano
dgterapia@gmail.com
conhecendojung
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